
"Que neste ano de 2012 sejamos despertados para uma vida nova, voltada para o alto, buscando o arrependimento e a conversão, preparando nossos corações para a vinda gloriosa de Jesus, pela qual a Igreja clama em toda celebração eucarística:
VEM SENHOR JESUS!!
Maria Alice e irmãos "Família de Nazaré"
Fui chamada a deixar tudo
Por causa de Jesus, por reconhecer que Ele é meu único bem, por tê-lo encontrado em meu interior e me apaixonado loucamente por Ele, é que tive a coragem de desprezar tudo que não me dava a alegria, a paz e o êxtase da Sua presença viva dentro de mim.
Deixei casa bonita, conforto, dinheiro, regalias, prazeres, convívio com meus pais e irmãos, privei meus filhos da convivência com os avós, tios e primos e vi o sofrimento deles com esta separação.
Deixei trabalho remunerado, realização profissional, amigos, irmãos de fé, viagens, férias, lazer e sonhos, para correr atrás daquele que me seduziu, me conquistou com Seu amor e Seu perdão, aceitando-me como realmente era, abraçando minha miséria, para me transformar naquilo que Ele sonhou para mim, para que a minha vida reflita a Sua glória.
Fui considerada louca, desequilibrada e irresponsável, tirando os meus da segurança, para trazê-los para o "novo" de Deus, o oposto, o inseguro e incerto, contando apenas com a intervenção divina, sofrendo suas demoras e esperando nele até o dia da minha entrada no reino que Ele nos prometeu.
Não me arrependo. Não olho para trás. Não sinto saudades do que passou. Sigo em frente perseguindo o alvo, mirando aquilo que preciso atingir: a cruz, a morte de mim mesma, para ressurgir uma mulher nova, cheia de luz, cheia do brilho do ressuscitado que nela habitará por inteiro e eternamente.
A iniciativa foi de Deus
A construção da Casa de Oração foi iniciativa de Deus.
Nunca pensamos em algo tão grande para nós.
Não saí da minha terra, nem rompi com meus familiares e irmãos de caminhada, movida por mim mesma. Mas fui impulsionada por uma força interior que agia em mim. Nossa mudança para Goiás em 84 foi o inicio de um longo período de exílio, de purificação, de preparação para a missão. Eu creio que as privações, os sofrimentos da vida preparam-nos para o despojamento e nos levam à plena liberdade de espírito, necessária para quem faz da própria existência uma oferta ao Senhor.
Os anos de 91 a 96 foram a fase final desta preparação. A partir de 2 de agosto de 1996, iniciamos mensalmente os retiros de Evangelização num ranchão de sapé e procurávamos ser fiéis à missão a nós confiada pelo Senhor.
Chegou a hora de uma nova partida, de romper com velhas coisas, acomodações, seguranças, enfim, chegou a hora de desinstalar-me. No ano 2000, vim morar na Casa de Maria, trazendo comigo apenas a minha vida.
Lutei muito, pois o apego ainda aos meus filhos e netos me escravizava e me impedia uma entrega total. E esta luta continua a cada dia.
A vida tem me empurrado para este despojamento que, por mim mesma, jamais conseguiria.
Sinto que não estou só. Outros foram preparados para, juntos, de mãos dadas, contando apenas com as coisas do alto, nos ajudarmos mutuamente, nesta linda tarefa de recuperação da identidade perdida e desfigurada dos filhos de Deus.
Casa de Maria é o "Útero da Mãe"
Na Capela Sagrada Família, num momento que antecedia a comunhão eucarística, começamos a louvar e adorar a Deus, manifestando o nosso amor por Ele, pedindo-lhe que se manifestasse a nós, fazendo-nos compreender os seus mistérios.
Ele nos mostrou a Igreja como um grande Útero, o útero de Maria, a mãe da Igreja, maternidade que lhe foi concedida no calvário, quando Jesus dá sua mãe para todos nós, representados na pessoa de João:- mulher, eis aí o teu Filho.
Compreendi que, neste útero espiritual, muitos filhos foram concebidos e muitos estavam sendo gerados. Compreendi, também, que um número muito grande de fetos iam sendo abortados em todos os estágios da gestação, por causa dos golpes da vida, dos ataques e ciladas do inimigo de Deus.
Senti a dor da mãe ao ver se perderem seus amados filhos antes deles serem dados à luz. Poucos, muito poucos chegaram ao final da gestação. Poucos, muito poucos chegaram a nascer.
Compreendi que estes poucos que nasceram eram os santos que entraram na nova vida ou na glória eterna, porque se deixaram santificar.
Agora também vejo fetos que chegarão a nascer, mas terão que passar pela solidão, pela ausência do aconchego do ventre da Mãe, pela insegurança da encubadora, sentindo medo e, até mesmo, experimentando sofrimento.
Aqueles fetos que foram abortados, jogados no lixo deste mundo podre, apodreceram com ele e estão fadados à condenação eterna.
Diante desta revelação, pedia suplicantemente a Deus que desse a chance de serem concebidos e gerados novamente no ventre de Nossa Senhora, pois creio que a misericórdia de Deus quer salvar a todos e, até o último instante, dará a chance de uma nova concepção, mesmo que termine passando longo tempo na encubadora que é o purgatório, onde acontece a purificação.
Com o coração grato, declaramos a Deus o nosso amor, o nosso desejo de permanecer nele e no útero, até que chegue o tempo de sermos introduzidos, juntamente com muitos, na vida nova da Jerusalém celeste, quando os santos brilharão como luzeiros iluminando o mundo novo com a luz da comunhão plena, a luz divina que é a próprio Deus.
(Este texto esclarece a respeito do carisma Família de Nazaré e deve ser usado no Caminho de Formação)
Revendo as primeiras inspirações
Andando por este terreno, quando havia apenas a Casa de Nazaré pronta e relizávamos os 1° retiros num ranchão de sapé, o Senhor me fez um pedido:
"Quero que você venha para cá, nua como Francisco de Assis e deverá renunciar toda herança."
Na época eu pensei: Meu Deus, como vou fazer? Ao menos que eu traga um carro. Estava tentando buscar apoio quando o único apoio deveria ser Ele. Mas obedeci. Em 2000, vim morar na Casa de Maria desta forma. Vim somente com a minha vida. Morei na Casa de Nazaré com um casal e 2 filhos. Não tinha carro, telefone e nem quarto próprio, pois compartilhava um cômodo com 2 crianças. Para mim havia apenas uma cama e um criado mudo.
Com o passar dos meses, a Casa de Oração já dava condições de eu vir morar num quarto, sem piso, sem forro, sem pintura, apenas no contra piso e reboco. Senti-me livre, feliz por ter o meu canto, embora ficasse sozinha e a família continuava na pequena casa de Nazaré. Os anos se passaram e eu nunca me esqueci daquele pedido do meu Senhor para renunciar a toda herança e vir despojada de tudo. Reconheço que ainda vivo no conforto e tenho muita coisa.
Hoje retorno à inspiração inicial e sinto-me movida a tomar uma decisão:
Revendo minha vida, percebo que a renda anual que recebo por causa da herança que recebi de meus pais, não fica um centavo para mim. Não compro roupas, calçados, não tenho férias, lazer, tudo que uso eu ganho, e o dinheiro que recebo da família vai tudo para atender as necessidades básicas dos meus 4 filhos: estudo, saúde, moradia e até mesmo, dar cobertura a passos errados que deram, acompanhados de grande arrependimento. A pensão do José, eu a uso também para ajudar na manutenção mensal de filhos e netos, telefonemas deles a cobrar para mim, remédios etc. Com isso está se cumprindo a profecia que recebi quando consultava o Senhor sobre como ficariam meus filhos e Ele respondeu: "Eu mesmo cuidarei deles na pessoa de José".
José faleceu e eu percebi que, através da sua pensão, estava cuidando dos filhos e de mim. A casa da cidade pertencia à família. Estava no nome dos três filhos já moraram lá por um ano. Esta casa ficará à disposição da família, reservando um quarto para mim quando necessitar. Não vou me desfazer dela, como o próprio Senhor me ordenou um dia. Já quis vendê-la, mas Ele me advertiu dizendo: "Ela lhe foi dada de presente e lhe será útil no tempo oportuno . Não é uma casa confortável que Eu quero para você. Não há outra forma de você ser luz senão vivendo a realidade de Nazaré." Diante disto, senti que tenho de tomar a decisão de viver na casinha de Nazaré.
Vou fazer daqui o meu canto.

Precisamos Voltar às Origens
Quando a luz do Espírito Santo penetra nosso interior, ela vai desvendando toda nossa sujeira, hipocrisia e maldade. Ela vai nos fazendo enxergar que não somos aquilo que aparentamos, nem aquilo que gostaríamos de ser. Somos pecadores, fazemos parte de uma humanidade decaída e tendenciosa a se afastar de Deus. Fazemos parte de uma humanidade doente, chagada e deformada que necessita de toda uma restauração interior para refletir o brilho que lhe foi dado no ato da criação.
Deus nos fez puros e santos, à sua imagem e semelhança; no entanto, não refletimos esta santidade, nem perfeição. Precisamos reencontrar o caminho de volta às nossas origens. Precisamos voltar a ser aquilo que Deus quer que sejamos. Precisamos nos descobrir como homens e mulheres de Deus que somos. Só assim, nossa vida aqui na terra terá verdadeiro sentido e valor. Só assim, nos realizaremos como pessoas e como filhos de Deus.
Estamos vivendo em tempos de Noé
Há mais de 20 anos anos, o Senhor me fez compreender que estamos vivendo em tempos de Noé. O povo vivia longe de Deus, entregue aos prazeres e regalias deste mundo. Ele chama Noé e lhe dá uma missão: pede-lhe que construa uma arca e que se recolha nela, juntamente com sua família, um casal de cada espécie de animal e ave que vivia sobre a terra. Noé obedece e vem o dilúvio. Os que estão dentro da arca são salvos e, com eles, começa uma nova humanidade.
Assim também hoje, Deus pede que construamos uma arca, um lugar de refúgio para acolher pessoas que querem um mundo novo, um mundo renovado através da renovação interior de suas mentes e de seus corações. Se Noé não tivesse obedecido, o plano de amor que Deus tinha para a humanidade não teria se realizado.
Se nós não obedecermos, se nós não mudarmos de vida e de atitude, com certeza, não experimentaremos a salvação, nem atingiremos a santidade que nos introduzirá no reino que nos foi preparado desde toda a eternidade.
Casa de Maria é este lugar de refúgio que Deus está preparando para acolher a todos que querem fazer a vontade de Deus, unindo-se a nós para que, juntos, possamos chegar ao nosso lar definitivo: O CÉU.
A missão que Deus nos deu
A missão que me foi dada por Deus, um dia, foi a de conduzir almas para a crucifixão do homem velho e carnal, para ressurgir um homem novo e espiritual. Este caminho de aceitação e renúncia foi o que ele escolheu para ir me restaurando interiormente.
É um caminho árduo, mas é possível para quem crê e se entrega a Deus por amor. E a minha vocação eu a deixo a todos os membros da Família Nazaré: ser simplesmente uma oferta de amor ao Pai, no coração da igreja, para que ele vá imprimindo em nós as feições do seu Filho.
Este chamado não é só para nós, Família de Nazaré. É para todos os batizados, para toda a Igreja de Jesus Cristo. Ele deu a sua vida para nos resgatar da morte eterna. Espera de apenas que façamos o mesmo para a Salvação do Mundo.